segunda-feira, julho 19, 2004


Quem diabos é a Isméria?

Ao passar pelo quiosque para prover o vício, dou uma mirada pelas parangonas. Reconheço raros rostos e poucos dos nomes que enfeitam capas de revistas e primeiras páginas de jornais, mas pressuponho que a maioria sejam ministros, bonifrates de telenovelas, gentinha-vómito misteriosamente designada por seita do “jéte” (aparentados com os manás) e demais carne para canhão. 
 
No entanto, nos últimos tempos, verifico perturbadora tendência. Estão a conspurcar uma classe esforçada e talentosa, que até aqui havia conseguido evitar o lixo da ribalta. Artistas sérios, gente de trabalho, que não merecia a sorte de ver devassada a sua intimidade e de ser misturada com os subprodutos usuais do quiosque nacional.
 
Sério que isto me preocupa. 
 
Anda um homem a debitar poesia nos relvados, exibindo a alma num par de chuteiras para grande glória da nação e orgulho da bandeira dos sete pagodes para depois lhe divulgarem a moradiazinha e as fuças da legítima boazuda!  
 
Pelo andar da carruagem, qualquer dia acabam-se os heróis.